sábado, 3 de outubro de 2009

Em vez de um show


Eu odeio todo o seu show e pretensão
A hipocrisia do seu louvor
A hipocrisia de seus festivais
Eu odeio todo o seu show
Longe com sua adoração barulhenta
Longe com seus hinos barulhentos
Eu tapo meus ouvidos quando você as canta
Eu odeio todo o seu show


Em vez disso, deixe que haja uma inundação de justiça
Uma procissão sem fim de um viver de retidão
Em vez disso, deixe que haja uma inundação de justiça
Em vez de um show
Eu odeio todo o seu show


Seus olhos estão fechados quando você ora
Você canta junto com a banda
Você lustra seus sapatos para o culto
Mas tem sangue em suas mãos
Você virou as costas para o desabrigado
E para aqueles que não se encaixam nos seus planos
Pare de brincar de religião
Tem sangue em suas mãos


Ah! Vamos discutir isso
Se seus pecados são vermelhos como o sangue
Vamos discutir isso
Vocês serão brancos como as nuvens
Vamos discutir isso
Pare de ficar brincando
Dê amor para aqueles que não conseguem amar
Dê esperança para aqueles que não a têm
Defenda aqueles que não conseguem se defender

Eu odeio todo o seu show

Jon Foreman - álbum: Summer EP - faixa: Instead of a show

sábado, 26 de setembro de 2009

A sociedade do espetáculo

I

A separação consumada

E sem dúvida o nosso tempo... prefere a imagem à coisa, à cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... Ele considera que a ilusão é sagrada, e a verdade é profana. E mais: a seus olhos o sagrado aumenta à medida que a verdade decresce e a ilusão cresce, a tal ponto que, para ele, o cúmulo da ilusão fica sendo o cúmulo do sagrado.

Feuerbach (Prefácio da segunda edição de A essência do cristianismo)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Quero ser um cristão diferente...


Autor Desconhecido.


Quero ser um Cristão diferente. Não quero ser conhecido apenas como alguém que "não bebe, não fuma e não joga". Isso é muito pouco. A "geração saúde", que freqüenta as academias e come comida natural, não bebe e não fuma, e nem por isso pode ser chamada de cristã. Também não me contento em ser chamado de Cristão por ter um modo diferente de me vestir. Durante muito tempo, no Brasil, a diferença que os Cristãos queriam mostrar era que eles se vestiam de uma maneira "esquisita", e isso acabou tornando-se motivo de chacota e que em nada engrandecia o Reino. Com certeza, usar uma roupa fora de moda, não faz de ninguém um cristão.

Também não me satisfaço com o modelo "gospel" de Cristão que há hoje em dia. Broche de Jesus, caneta de Jesus, meias de Jesus, calcinha de Jesus, etc. Sabe-se lá onde isso vai chegar. Tem muita gente ganhando rios de dinheiro com esses cosméticos para o Cristão moderno. A grife "JESUS" tem vendido muito. Mas não adianta. Usar toda a parafernália do marketing "gospel" não faz de ninguém um cristão.

Pensei comigo: a moçada evangélica hoje está toda na Internet. E saí à busca de salas de bate-papo de evangélicos. Confesso que tentei inúmeras vezes, mas não consegui. Me adentrava por assuntos importantes e profundos da vida cristã e as respostas eram chavões o tempo todo. Não se pensa, cria ou reflete, só se repete chavão do tipo "glóooooria", "Tá amarrado", "É tremendooo", etc. Definitivamente, repetir chavões a todo o momento não faz de ninguém um cristão.

Quero ser um Cristão diferente. Que não seja alienado da vida e de seus acontecimentos. Que saiba discutir e entender as questões existenciais, como a dor, a miséria, a sexualidade, a paixão, o amor. Quero ser um Cristão que não vive acuado, com medo de tudo, vendo o diabo em toda a parte e querendo amarrá-lo a todo momento: Jesus Cristo o derrotou na cruz, ele é um derrotado, e eu não preciso ficar me preocupando com ele 24 horas por dia.

Quero ser um Cristão que saiba falar de tudo e não apenas de religião, e que tenha, em todas as áreas, discernimento e sabedoria. Quero ser um Cristão que não tenha uma atitude conformista diante do mundo, do tipo: "Ah, Deus quis assim....", mas que eu seja um agente de transformação nas mãos de Deus.

Que a minha diferença não esteja na roupa, mas na essência: coração bom, olhos bons. Quero ser um Cristão que cria os filhos com liberdade, apenas corrigindo-lhes, para que cresçam e desabrochem toda a criatividade que Deus lhes deu. Quero ser um Cristão que vive bem com o seu próximo.

Quero ser reconhecido como um Cristão pelo que eu "sou" e não por aquilo que "não faço". Quero ser um Cristão simpático aos outros, agradável, piedoso, que se entristece com a dor do próximo, mas também se alegra com o seu sucesso (já reparou que as pessoas se solidarizam com nossas derrotas, mas poucos manifestam alegria quando vencemos?).

Não quero ter de falar a todo momento que sou Cristão, para que outros saibam, mas quero viver de tal modo que outros percebam Cristo em mim.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Luxo e luxúria...

Dia desses, já de madrugada, zapeando a TV, deparei-me com uma programação um tanto quanto “inadequada”. Sem querer enrolar os leitores, vou logo avisando que foi uma safadeza só! Eu pensei até em trocar de canal ou desligar a TV, mas quis saber até onde iria parar. Confesso que meus olhos não se desviaram da tela, enquanto as cenas da programação insistiam em propagar (propagandear?) todo aquele sonho de consumo: carros esportivos.

De forma proposital, fiz muita gente pensar num conteúdo leviano. Eu sei e assumo que foi essa minha intenção. Aliás, por incrível que possa parecer, o uso de carros esportivos naquele programa televisivo, foi uma verdadeira “apelação”. De forma explícita e marqueteira, percebi que houve intensa “safadeza” por parte do programa. Relacionar os luxuosos carros a um sonho que pode ser realizado pelo telespectador, desde que “tenha fé”, é uma sacanagem! Desculpe a expressão, mas isso é o que penso.

“Qual é o tamanho do seu sonho?” – foi assim que o apresentador interrompeu a mostra da carreata para milionários, sugerindo que a possibilidade para se obter um dos carros apresentados depende tão somente do “tamanho” do “sonho” do telespectador... Sacanagem, ou pior, luxúria! De acordo com a enciclopédia livre, Wikipédia, a luxúria é o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material.

Prostituição é outro nome para “desejo passional e egoísta”. Logo, a definição do pecado da luxúria envolve a prática da prostituição: relacionamento por interesse. Parafraseando Tiago, relacionamento que envolve a amizade com o mundo diz respeito a um comportamento adúltero. Dessa forma, constato que a relação homem-divino tem se prostituído. Faz até sentido aquele tipo de programação ter ocorrido de madrugada: há prostituição. Sim, porque existem cenas “inadequadas” e explicitamente apelativas. A Univer$al está de sacanagem e, como tem sido noticiado, a Rede Globo vai investir sua denúncia em cima disso! A guerra entre as duas emissoras renderia um outro post. Aqui, registro minha reflexão entorno de uma espiritualidade pura. Oro pra que minha espiritualidade não se prostitua. Porque da mesma forma que uma esposa que trai seu marido é chamada de mulher de prostituição, o povo que se desvia de Deus é chamado de prostituto. Ah, sim! Desliguei a TV imediatamente, por causa do horário...

"Contudo, ela ia se tornando cada vez mais promiscua à medida que se recordava dos dias de sua juventude, quando era prostituta no Egito." (Ezequiel 23:19)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Benção Franciscana

domingo, 9 de agosto de 2009

Impacto Local - R.E.V.E.R.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sobre motivação: o pulo do gato! [parte III]

Cansado de gente cansada da igreja!

Durante minha caminhada cristã, desde 1993 para ser mais específico, encontrei com todo tipo de crente. Gente que ama e gente que odeia a igreja. Gente que se alegra pelo crescimento dela e gente que se desespera com isso. Gente que acredita na instituição e gente que não acredita. Eu mesmo já tive altos e baixos na fé, já troquei de igreja, de denominação e de “ministério” amais de uma vez. Os motivos foram vários, desde uma questão de geografia até a mais pura e simples incompatibilidade teológica com o(s) pastor(es). Também já tive um tempo (curto) fora da igreja. Sei como se sentem os que saem da igreja.

O que me faz repensar muitas vezes até que ponto essa aparente crise de confiança na instituição que parece ter se popularizado nesta era da internet. Tenho visto nas redes sociais e nos blogs que se multiplicam diariamente muita gente só reclamar da igreja. Alguns apenas repetem o mantra “Jesus não fundou uma igreja”, outros foram profundamente ofendidos/feridos por algo ou alguém dentro de uma igreja e reagiram. De um tempo pra cá surgiram vários livros sobre o assunto, tanto nacionais quanto traduzidos. Lembro dealguns: Igreja? To fora (Ricardo Agreste), Igreja: por que me importar? (Philip Yancey), Igreja? e eu com isso (Ariovaldo Ramos) e mais recente o candidato a best seller “Por que você não quer mais ir à igreja” de Wayne Jacobsen e Dave Coleman.

Sejam os livros, sejam o blogs, todos tem seus argumentos (pró e contra) e certamente bons motivos para estimular seus leitores a irem (ou não) à igreja. Até ai eu entendo e posso concordar. O que eu não entendo é porque vemos tanta gente agir da mesma maneira que os que ele condena agem. Eu explico. Leio textos de pessoas que atacam a instituição igreja com tanta convicção e paixão que acabam mostrando o mesmo tipo de intolerância com quem pensa diferente quanto tem/teriam os membros das igrejas que eles participaram. É uma verdadeira enxurrada de material ridicularizando este ou aquele pregador, esta ou aquela igreja, este ou aquele ministério. Isso me cansa. Esse enfado proclamado aos quatro ventos enfada também! Não quero dizer que não existam pastores maus, ou igrejas que manipulam ou exploram as pessoas. Mas a premissa de fazer disso uma regra é cansativa demais. Parece que ninguém mais presta!

Realmente não vejo sentido em ficar tanto tempo argumento contra algo, se a melhor opção seria sair de trás do computador , da sua zona de conforto e fazer algo de construtivo. Essa era a motivação de Jesus, afinal não vemos no NT ele reclamando o tempo todo do sistema judaico. O Senhor que muitos desses cristãos cansados de igreja dizem seguir mostrou sua insatisfação sim, mas agiu também. Jesus não ficou apenas fazendo piadas dos sacerdotes, nem escreveu textos ridicularizando os rituais e sacrifícios judaicos, tampouco incentivou os judeus sérios a simplesmente pararem de ir ao Templo. Da mesma maneira, os reformadores foram o que o nome indica, pessoas que buscaram reformar o que estava errado. Protestante no sentido de protestar contra o que estava ruim, errado, distorcido. Quando não conseguiram o que queriam, fundaram sua própria igreja. Sim, isso causou alguns problemas (e às vezes causa até hoje). Mas ao menos foi uma atitude coerente com o que pensavam.

Hoje em dia parece que é muito mais fácil ficar em casa apontando o dedo pros erros alheios. É fácil criticar todos os pastores e todas as igrejas como se fossem tudo a mesma coisa. Não sou cego aos problemas da igreja evangélica brasileira, nem penso que o cristão sincero não pode pensar. O que me cansa nisso tudo é ver que existem tantos ministérios sérios por aí, tantos missionários que dão sua vida pelo evangelho, tanta gente que só quer anunciar a salvação e viver pra Deus. Esse em geral eu não vejo eles escreverem nada, estão ocupados demais trabalhando em prol do Reino.

A maioria do pessoal que se diz cansado (ou livre) de igreja no fundo se acha melhor que nós, “os pobres coitados” que ainda acreditam que a Bíblia ensina que existe um corpo de Cristo e que esse corpo deve se reunir, algo instituído por Deus para que o evangelho seja anunciado. Gostaria realmente de saber até aonde vai o compromisso desse pessoal que se vangloria de estar cansado e de ter se libertado da instituição. Quantas pessoas eles levaram a Jesus no último ano? Quanto investiram do seu bolso na propagação do evangelho? Quanto tempo passaram orando por mudanças na sua própria vida? Orando pelos líderes que eles gostam de atacar? Uma resposta honesta seria bem-vinda. Acho que surpreenderia a muitos.

Poderia citar aqui muitos versículos para defender a igreja, mas não preciso fazer isso. Qualquer um que leia com honestidade o NT sabe como a igreja é retratada em suas páginas. Mas realmente estou cansado desse pessoal tentar fazer com que outros abandonem os bancos das igrejas. Já estive em igrejas em quatro continentes. Ela segue existindo, quer eles queriam quer não queiram. Por mais que se acuse e se ataque, tem dois mil anos que ela anda por ai e pelo que sei só terminará com a volta de Cristo.

Termino com um pedido e um lembrete. Pedido: Sua igreja está ruim? Faça sua parte para melhorá-la. Não deu, não quer? Abra sua própria igreja (não conheço outro termo bíblico para reunião de cristãos, sorry)! Aproveite essa disposição e inteligência que Deus te deu para ajudar outros a conhecer o caminho para Deus. E o lembrete? Meus caros irmãos cansados da igreja, Lucas 6:42 também vale para você “Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.”

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Guidom - Crombie

Eu sigo certo na contra-mão
Do meu desejo equivocado
Passei no meio da confusão
Andando sempre orientado
Eu não pedalo sozinho, não
Quem foi que disse que eu controlo meu guidom?
Quem me guia é quem me fez
E eu vivo um dia de cada vez
Que é pra eu não me perder
Nem me equivocar no meu querer
Quem me guia é quem me fez
E eu vivo um dia de cada vez
Deixo pra trás
A vontade de desistir
Trago comigo
A esperança no porvir
E a força pra prosseguir

Composição: Paulo Nazareth

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O que é a Igreja?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Contingência e o vôo 447



O mundo está em choque. De novo a contingência mostra sua cara na tragédia do vôo da Air France. Vale lembrar: contingência significa que os acontecimentos não são sempre necessários. Quando ocorre alguma coisa sem uma razão que a explique ou justifique. Contingência gera imprevisto; fatos que escapam à engrenagem da causa e do efeito. Um avião cai porque o mundo é contingente, não porque tenha sido vítima do destino ou de um plano de Deus.

Diz-se no senso comum que as pessoas só morrem quando chega a hora. Caso isso fosse verdadeiro, o destino reuniu em uma aeronave as pessoas que deveriam morrer naquele dia. Isso daria à fatalidade um poder apavorante. Impossível pensar que gente de mais de trinta países entrou no vôo 447 sem saber que obedecia a uma força cega, que determinava aquele como o último dia de suas vidas.

Igualmente, acreditar que Deus permite a queda do avião porque tem algum propósito, soa esquisito. Cada pessoa, com histórias, projetos, sonhos, foi arrancada da existência para que se cumprisse qual objetivo? Um objetivo macro? Isto é, para que a humanidade aprendesse ou se arrependesse? Isso faria com que as biografias fossem descartáveis, desprezíveis. O Divino Oleiro, sem precisar se explicar, afogaria tanta gente para conduzir a macro história para o fim glorioso? Sim? Mesmo que exista esse deus, eu não o quero.

Também, algumas pessoas aceitam que Deus tem um plano para cada morte individual. Verdade, ele é Deus, tem todo o poder e é capaz de reunir, em um só lugar, quem deveria morrer. Mas também é bom. Então todos os passageiros foram eleitos para cumprir qual bem? Satisfaz pensar que o bem de ceifar tantas vidas, mesmo sem nenhum sentido do lado de cá, está garantido na eternidade? (Deus sabe o que faz?!?!) Como explicar tal conceito para pais, filhos e parentes desolados? Todos acorrentados à trágica realidade que lhes roubou de seus queridos.

A idéia de que Deus tem um plano para cada morte se esvazia diante dos números. Um avião caiu, mas o que dizer dos incontáveis acidentes de todos os dias? O que dizer das balas perdidas que aleijam transeuntes? E dos erros médicos ou dos acidentes de trânsito? Recentemente uma senhora de nossa comunidade caiu da laje da casa em construção. Ela fotografava a obra para que a filha ajudasse com as despesas do acabamento. Quebrou a coluna e ficou paraplégica. A última explicação que se poderia dar é que Deus tinha um plano em deixá-la paralítica.

Jesus nunca cogitou o mundo sem contingência. Pelo contrário, não atrelou a queda de uma torre aos desígnios divinos; não disse que a cegueira do homem era consequência causal das ações interiores, dele ou de seus pais; advertiu que os seus discípulos enfrentariam tempestade, aflição e morte.

Contingência é o espaço da liberdade, portanto, da condição humana. Sem contingência nos desumanizaríamos. A consciência do risco de adoecer e da imprevisibilidade da morte súbita é o preço que pagamos por nossa humanidade.

O desastre do avião mostra a inutilidade de pensar que o exercício correto da religião e a capacidade tecnológica mais excelente sejam suficientes para anular a contingência. Nossa vida é imprecisa e efêmera. Portanto, vivamos intensamente. Cada instante pode ser o último – Carpe Diem!

Soli Deo Gloria